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sábado, 19 de dezembro de 2015

Amizade





Existem duas lonjuras, a saber; a lonjura do tempo e a lonjura da distância. Encurtemo-las.


Conhecemo-nos há tanto tempo,
E há tanto tempo,
Por demais somos do outro desconhecidos.
(e até inventámos esse tempo de nos ignorar)
Pois há muito tempo
Que deixámos, um do outro, de ser pronomes indefinidos.

Sei tanto sobre ti, e, no entanto,
Aquilo que sei é tão pouco.
Pouco que em minha doída voz é nada.
Por vezes quatro olhos se turvam
E se enchem de água,
Nessas esquinas de melancolia
Aonde jazem corações caídos após a cilada.

Conversa longas, de mistério encetadas,
No remanso de noites brancas, paradas,
Fingimos ambos à distância articular.
Dizemos: “é no mar que nossas almas se encontram.”
Uma afogada em lembranças, outra incerta a flutuar,
Ali, onde a velha saudade à fímbria dos tempos nos foi procurar.


©2015 Alexandre Alves-Rodrigues