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domingo, 24 de março de 2013

O Futuro da Nossa Situação Económica






Ainda há muito boa gente por essa Europa fora, e particularmente em Portugal, achando que o velho continente já bateu no fundo. Há ainda pessoas que se espantam quando afirmo que ainda não. Desenganem-se aqueles que pensam que isto não pode piorar. Pois pode. E vai. Não gosto muito de ser tomado por “velho do Restelo”, mas quando se começam a fazer contas, as coisas não batem certo. Já o disse aqui que o Ocidente está em declínio. Continuo a defender essa hipótese e basta usarmos as nossas cabecinhas para compreender que esta é a década perdida, um preludio da grande pobreza que aí vem (para não dizer miséria) e que a austeridade que era para durar até 2012, agora vai durar até 2018 (dizem os iluminados políticos), mas suspeito que vai entrar bem dentro da próxima década, e serão precisas muitas mais para reconstruir o estrago que está a ser feito na economia e nas vidas das pessoas. 


1-      A distribuição dos recursos naturais. 


Como é sabido, as duas últimas décadas viram países com
o a China, Índia, Brasil e Rússia (os chamados BRIC) a ter crescimentos económicos próximos, ou mesmo ultrapassando os dois dígitos. Ao mesmo tempo que o Ocidente crescia muito devagar, poucos ultrapassaram os 3% (que é o mesmo que dizer zero, se adicionarmos inflações do mesmo valor, fracas exportações, etc.). Acresce também a redução do tecido industrial em quase todos os países desenvolvidos, transferida para estes países em crescimento, com ordenados muito mais “competitivos” e leis de trabalho mais flexíveis (desenganem-se aqueles que acham que os chineses trabalham por pouco mais que uma taça de arroz), onde em certos casos, como o da industria têxtil na China, os trabalhadores se dão “ao luxo” de mudar de emprego se acharem que a fábrica X onde trabalham lhes pagam menor ordenado ou lhes dá menos condições que a fábrica Y ao fundo da rua. Claro que, comparativamente, os salários ainda são baixos em relação ao dos países ocidentais. E pensando assim, de que valeria ao Ocidente produzir os mesmos bens que os BRIC (caso o tecido industrial se tivesses mantido) se depois não os conseguiria vender (basta ver o estrago que as lojas chinesas têm feito no sector comercial português) e muito menos exportar. Se o cidadão comum gosta de um bom desconto, as empresas (ainda mais) não são indiferentes aos preços do mercado. Percebem agora porque o tecido industrial se erodiu? E alguns países nunca investiram em tecnologias avançadas e de nicho (apenas possíveis com um bom sistema de ensino por trás), continuaram a querer competir com estas novas potencias.


Mas o grande causador do corrente declínio económico (e consequente empobrecimento das populações) é a nova redistribuição dos recursos naturais e o acesso aos mercados. Mesmo se pensarmos que em termos gerais os recursos naturais não se reduziram (a questão é ainda alvo de debate) nem aumentaram em relação há vinte ou trinta anos atrás, o número de países ou blocos económicos no mercado da extracção e no mercado de transacções aumentou em mais de 50%, concorrendo exactamente o mesmo número de recursos disponíveis. Mais ainda se tivermos em conta que os bens produzidos com essas matérias-primas nas últimas décadas também disparou (daí os bens de consumo terem baixado de preço e as taxas de juro também), basta fazer umas pequenas contas para percebermos porque defendo que as coisas tendem a piorar. Correndo o risco de ser demasiado simplista no exemplo que vou dar, julgo que este ilustra de modo claro o problema económico actual:


Onde há trinta anos teríamos um recurso económico a ser explorado (cobre, por exemplo), por três grandes blocos económicos (EUA, Japão e Europa); 1:3, hoje temos pelo menos seis a explorar e a transaccionar esse mesmo recurso; 1:6. No primeiro caso cada bloco ficaria com 0.33 desse recurso, no segundo caso, o actual, cada bloco ficará com 0,166 desse mesmo recurso que, logo por causa da lei da oferta e da procura ficará mais caro que antes porque mais procurado. Se acrescentarmos que a velocidade de extracção desse recurso é maior que à trinta anos, assim como a transacção, processamento e venda, então conseguimos perceber porque estamos, e porque vamos ficar mais pobres. 


2-      O nivelamento das economias. 


A consequência desta corrida aos recursos é o nivelamento das economias. Ou seja, em termos muito gerais, neste momento as economias em crescimento estão a ver os seus níveis de vida a subir, os salários e as condições de trabalho a melhorar, etc., mesmo que nunca cheguem a atingir o mesmo nível em que o Ocidente se encontra (ou encontrava), qualquer melhoria é melhor que nada. Mas o outro lado da moeda para os países ricos é que, tal como, como quando duas colunas de água (os recursos) separadas, uma completamente cheia (o Ocidente) e outra quase vazia (o resto do mundo) se juntam (o mercado), a coluna mais alta nivela com a mais baixa, perdendo altura a primeira e ganhando a segunda. 


3-      Quanto tempo vai durar?


Tudo aquilo que expliquei em cima refere-se à macroeconomia. Quando falamos de cada país, as más consequências serão mais rápidas quanto mais vulnerável for a economia do país e o seu sistema governativo. Daí os casos (embora com origens diferentes, mas com consequências semelhante) da Grécia, Irlanda, Portugal, etc. As economias mais robustas e aquelas que tem mecanismos governativos mais limpos e transparentes também estão a ser afectadas, no entanto o decrescimento é mais lento, e o empobrecimento também, com as consequências que todos sabemos. Basta ouvir as notícias aqui no Reino Unido para percebermos que este país (no meio da tabela económica europeia) já perdeu, do ponto de vista económico, tanto dinheiro quanto o que gastou na II Guerra Mundial. Para termos uma ideia da gravidade da situação, o Reino Unido, que ficou na bancarrota levou mais de quinze anos desde o início do conflito a levantar as barreiras de racionamento (com a “ajuda” norte-americana). Se juntarmos a isso a crise de 1929, da qual o país nunca recuperou verdadeiramente, então temos vinte e cinco anos de austeridade. Daí que quando os políticos anunciam austeridade até 2018, fazem-no para ganhar tempo. É obvio que ninguém acredita neles. Nem eles próprios. 



4 - O que fazer para minimizar os estragos?




Para minimizar os inevitáveis estragos, temos então de pensar de um modo muito alternativo sobre como vamos levar as nossas vidas daqui para a frente. Claro que aqueles que têm um emprego, por muito mal pago que seja, mas que pague algumas despesas, deve tentar mantê-lo. Mas isso não será suficiente. Aqueles que têm algum dom ou passatempo, como por exemplo a doçaria, ou a música, talvez devam começar a pensar em tirar partido financeiro destes. Se tiverem um bocadinho de quintal criem uma pequena horta, ou se não tiverem, juntem-se com os vizinhos e tentem explorar hortas comunitárias. Já existem exemplos até no topo de prédios de habitação. Não esperem por ninguém, e muito menos pelo Estado para resolver a vossa situação económica. As trocas de bens e serviços vão crescer. Já existem estabelecimentos comerciais e feiras de trocas de bens a funcionar em Portugal aqui e aqui. E acredito que irão proliferar. 


Reduzir as necessidades. Este é outro grande problema que a sociedade moderna pariu quase sem dar por isso. Vivemos rodeados de coisas que, se pensarmos bem nelas, não nos fazem falta nenhuma. Eu chamo-lhes de brinquedos de adultos. Evito aqui dar exemplos, cada um terá de reflectir quais serão as suas “necessidades” pessoais e reduzi-las. Outra falácia é a de comprar muitos bens de consumo baratos e de baixa qualidade que, ao fim de pouco tempo se estragam ou avariam, sendo então substituídos por outros do mesmo género. Porque não investir num bom par de sapatos de qualidade, que dure um bom par de anos, em vez de todos os meses ou épocas comprar um ou dois pares de péssima qualidade. Faça as contas e talvez se surpreenda no quanto pode poupar. A simplicidade acima de tudo: Quem conhece um pouco da Europa, por ter tido o privilégio de viajar ou viver nela, sabe que na maioria dos países do norte, as pessoas, ao contrário do que se pensa, vivem com poucos luxos. As casas, as mobílias são simples, muitas vezes compradas em segunda mão ou transmitidas de geração em geração. Eu conheço pessoas com bons empregos por essa Europa fora, que nunca compraram carro novo. Ou se o fizeram, já foi tarde na vida, aqueles que puderam. Não é raro encontrar pessoas com carros com mais de dez anos a circular em perfeitas condições. 


Está na altura das pessoas acordarem e ser mais exigentes com as classes politicas. Se a indiferença por vezes não funciona (porque lhes abre a porta para fazerem o que querem) então haja de modo inteligente. Não é muito difícil ser mais inteligente que um politico actual. Ou é? Não pactue com a desonestidade. Se todos deixarmos de pactuar com a desonestidade, ela acaba. Não basta manifestar-mo-nos nas ruas, ou nos comentários que fazemos às peças jornalísticas junto dos amigos ou na Internet. Essa, junto com o voto, é a ilusão de liberdade que os políticos nos venderam. A peixeira só vende peixe de má qualidade se tiver quem o compre. Caso contrário, terá de ser ela a melhorar a qualidade do produto, ou fechar as portas. A liberdade está em mudar o que está mal.


Mas não se esqueça: as coisas ainda vão piorar mais do ponto de vista económico. Não torne a sua vida ainda mais difícil do que ela é. Valorize o que é realmente importante. 





©Alexandre Rodrigues 2013



domingo, 20 de maio de 2012

Este final de democracia.




1 – Grécia. A Republica Helénica esta’ neste momento entre a espada e a parede. Ou continua as medidas de austeridade e empobrece ou sai do Euro e empobrece ainda mais. Enganem-se aqueles que pensam que a volta do Dracma e’ beneficiário para o pais de Sócrates (o filosófo). Sair do Euro significaria a total perda de credibilidade (já de si muito pequena) financeira, a incapacidade de pagar este ou pedir novos empréstimos nos mercados e um rombo nas poupanças dos cidadãos que veriam as suas (suspeito que magras) poupanças serem brutalmente desvalorizadas por uma moeda de pouco valor. Tal como Portugal, ou ainda pior, os gregos andaram a brincar aos países ricos e a jogar o seu futuro em apostas muito perigosas. O sistema de colecta de impostos é terrivelmente ineficiente, nunca foi modernizado e por isso não existe cruzamento de dados, permitindo que largos (todos) sectores da população fujam aos impostos. Michael Portillo, ex-ministro da defesa britânico, num documentário sobre a crise do Euro pergunta aos gregos onde foi parar o dinheiro investido pela UE. Escusado será dizer para onde foi. Muitos cidadãos gregos iludidos pelas baixas taxas de juro proporcionadas pela moeda forte compraram carros de luxo alemães como o electricista entrevistado que tinha um Porsche Cayenne à venda, e afirmou que na sua família de cinco pessoas todas tinham um carro (!). Agora anda de Smart… Outros ainda mais ricos, usaram os buracos legais para evasão de impostos e “investir” em luxuosos iates e casas. Quando o documentarista pergunta a Jason Manolopolous autor do livro “A Odiosa Divida Grega” se isto é algo cultural, ou os gregos não confiam nas instituições o segundo responde-lhe o seguinte: vamos ver isto de um modo contrário, se as instituições são fracas e não são capazes de impor um regime justo de cobrança de impostos, aqueles negócios que cobram o IVA a 23% aos seus clientes tem como competidores muitos mais negócios que não o fazem (por falta de fiscalização efectiva). Então o que temos não é uma instituição corrupta mas sim corruptora. 


2-Alemanha. Tida por muitos como (mais uma vez) o mau da fita desta interminável novela, a Republica Federal já teve a sua quota-parte de crise na década de noventa e princípios de 2000. Os que criticam os germânicos esquecem-se que em 1990 aquando do início do processo de reunificação alemã, a Republica Federal teve de injectar não milhões, mas triliões de Euros (à época, Marcos) na colapsada economia, infra-estrutura e administração politica da sua irmã de leste. Este longo e doloroso processo obrigou a Alemanha a grandes sacrifícios, a ter uma das taxas de desemprego mais altas da Europa, despovoamento inicial do leste, transferência, privatização e modernização da sua estrutura industrial já’ para não falar nos incentivos fiscais (subsídios) para atrair investimento para as cinco novas regiões administrativas entretanto formadas entre muitos outros problemas com que teve de lidar. No fundo um “bailout” para incorporar um estado falido, centralizado e centralizador noutro bem mais prospero e descentralizado. Isto obrigou os alemães ocidentais a perder poder de compra, a não ter aumentos salariais se tivermos em conta a inflação anual e o imposto que cada trabalhador pagava para a reunificação, o ordenado foi efectivamente reduzido, uma economia estagnada (que já’ crescia pouco antes da reunificação) e consequente desemprego e pressão na Segurança Social. E não apenas isso: no final da década de noventa os alemães conseguiram prever que com a emergência de economias como a chinesa, teriam de ser mais flexíveis, congelar salários e reestruturar a sua economia. Não é pois de estranhar que depois de mais de uma década de sacrifícios em prol da solidariedade, do nivelamento social fraterno e da competitividade económica, os alemães tenham uma ou duas palavras a dizer sobre austeridade e sacrifícios e não queiram pagar mais um, dois ou quatro "bailouts" de países que desviaram fundos comunitários para encher os bolsos e o ego de vacuidades mentais politicas e seus ultra-subservientes lacaios nesses mesmos ultrapassados estados. Eu pensaria igual.


3- Quem beneficiará com a queda do Euro? Poder-se-á pensar que os países de moeda e economia forte beneficiarão deste fim, bem pelo contrário. Tudo porque neste momento, ninguém na Europa ou Estados Unidos se pode gabar de altas taxas de crescimento económico nem de ter défices em ordem ou a economia segura. Para países fora do Euro (como poderá’ acontecer com a Grécia) e com moeda desvalorizada, o preço das importações de países de moeda forte (Euro, Dólar, Libra, etc.) ficaria muito caro mas facilitaria a exportação. Já para os países da Europa fora da Euro zona e Estados Unidos a actual instabilidade do Euro não lhes beneficia as economias, pois estes países na sua maioria têm a Euro zona como principal mercado. Se não exportarem, como vão manter empregos, empresas, impostos etc? No entanto para países com moeda mais fraca ou artificialmente controlada (Yuan chinês) isto significará maior facilidade transaccional. E talvez seja isso que os chineses andem à procura para entrar na Europa. Afinal, eles tem estado a comprar e a investir fortemente em países do sul da Europa (os tais em maus lençóis) como parte de uma estratégia de entrada no continente e como forma de receber de volta os empréstimos que fizeram aos europeus. Este é o grande paradoxo actual; a China é oproblema, mas também é ou poderá vir a ser parte da solução. 

Não estou aqui a apontar bodes expiatórios, até porque seria a solução mais fácil (e regra geral a menos inteligente), e essas não existem. Estou aqui a tentar abrir olhos das pessoas. Não podemos nem devemos culpar ninguém a não ser nos próprios pelo facto de estarmos a ficar para trás. Os países em geral são como as empresas: se uma empresa lança um produto mais competitivo no mercado, as outras não podem ficar a assobiar para o lado como se nada estivesse a acontecer. Se continuarem a fazer as coisas como sempre fizeram, vão acabar por fechar, ou a pedir empréstimos para financiar as suas ineficiências até não poderem mais e ou fecham de vez ou são compradas por outras e perdem a sua autonomia. E os países também são como as pessoas: se forem vaidosas e de cabeça cheia de vácuo, quando aparece um vendedor de banha da cobra a prometer-lhes um terreno na Lua ou a compra de um qualquer monumento nacional, vão cair na armadilha. Ficam sem dinheiro e sem terreno, mas claro, culparão o embusteiro em vez de se culpar a si mesmos por serem tão incautos. Claro que depois não tem autoridade para exigir seja o que for, não tem credibilidade. Os países também podem ser como alguns dos meus alunos que tentam saltar os passos dos tutoriais que eu lhes forneço nas aulas e depois me apresentam o resultado final mas sem conseguirem demonstrar como lá chegaram. Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo, sempre me disse o meu pai. E assim se perdem a credibilidade e os direitos.


BBC: Michael Portillo The Euro Crisis: http://www.youtube.com/watch?v=cEbioTWE6Gg

E para um ponto de vista oposto

BBC: Robert Peston The Great Euro Crash: http://www.youtube.com/watch?v=BkfWrbomh84

sexta-feira, 2 de março de 2012

Soluções para Portugal. A Teoria da Motivação.

Soluções para Portugal. A Teoria da Motivação.
Muito se tem falado e criticado acerca da corrente situação económica em Portugal, das suas origens, dos perpetradores de negociatas ruinosas, do problema cultural e de mentalidade português, de tudo e mais alguma coisa. E não raras vezes vozes se têm levantado a exigir soluções, a demandar o fim de tanta critica – vamos mas é trabalhar, comprar produtos portugueses e outras soluções coladas a cuspo que no meio desta global crise pouco ou nenhum efeito suscitam. Diz o velho ditado; em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. A Europa é em geral uma casa sem pão. Invariavelmente, nestas alturas de crise, aparecem sempre uns "espertalhões" a atirar “postas de pescada”, sejam alemães, portugueses, ingleses ou italianos. E regra geral culpam sempre os vizinhos pelo facto de não haver pão. E o vizinho pode ser o imigrante da porta ao lado, o governo, outro país, outro continente. Bodes expiatórios, no fundo. Quando afinal todos somos culpados da situação em que nos encontramos. Os alemães porque fazem negociatas escuras para vender submarinos e comboios, por um lado; os portugueses porque são vaidosos e gostam de ter o último brinquedo de luxo que aparece no mercado, submarinos, comboios, pontes, carros, por outro. Por cada vigarista há sempre um tolo. E assim é por este mundo fora. E entre tolos e vigaristas, os que são minimamente honestos e um pouco menos vaidosos, têm de fazer pela sua vida e se possível evitar uns e outros. No entanto todo este “zunzum” causa invariavelmente uma grande desmotivação, especialmente naqueles que sendo arrojados, de pensamento independente e “out-of-the-box”, se sentem ridicularizados, ostracizados, humilhados e injustiçados.

É nesta perspectiva contributiva (e não na do António José Seguro) de novas ideias que eu venho aqui tentar, num pequeno gesto, oferecer aquilo que poderá ser uma pedra fundamental na mudança de mentalidades. “Venho pois aqui falar de uma coisa que me anda a atormentar”. Motivação.

Motivação pode ser interpretada como um vasto conceito que incluirá preferências por um determinado resultado, uma vantagem, esforço (mole ou entusiástico) e persistência em face de certas barreiras, assim defendem os investigadores Andrzej Huczynski da Universidade de Glasgow e David Buchanan da Universidade de Cranfield. O psicólogo norte-americno Abraham Maslow, pai das teorias da motivação defendeu no seu conteúdo que todo o ser humano tem dentro de si nove necessidades e motivações inatas quer precisa de preencher para chegar a um alvo final, a auto-realização. Estas nove necessidades são:

1.     Necessidades fisiológicas; sol, comida, água, sexo, descanso e oxigénio, ou por outras palavras as necessidades básicas de sobrevivência individual e colectiva.
2.     Necessidade de Segurança; conforto, tranquilidade, libertar-se do medo e das ameaças do meio envolvente, abrigo, ordem, previsibilidade e um mudo organizado.
3.       Necessidade de afiliação ou relacionamento; ligação, pertença, afectos, amor e relacionamentos.
4.       Necessidade de estima; confiança, realização, independência, reputação, prestígio, reconhecimento, atenção e apreciação. Ou por outras palavras a necessidade de uma firme auto-avaliação baseada nas capacidades e no respeito pelos outros.
5.       A necessidade de saber e compreender; adquirir e sistematizar o conhecimento, a necessidade de ser curioso, aprendizagem, filosofar, experimentar, e explorar.
6.       Necessidade Estética; a necessidade de ordem e beleza.
7.       Necessidade de transcendência; necessidades espiritual, identificação “cósmica”ou “ser um com o universo”.
8.       A necessidade de ter liberdade de inquirir e de expressão; um pré-requisito essencial para a satisfação das outras necessidades.
9.       Necessidade de auto-realização; para o desenvolvimento do nosso potencial.

Como poderão perceber, existem necessidades básicas que se não forem preenchidas levam ao fim do indivíduo ou do grupo (e aqui grupo vamos chamar de nação, o povo de um país). No entanto existem outras necessidades que, embora não causem a morte, levam a grande desmotivação; por exemplo, a liberdade de inquirir e a liberdade de expressão são frequentemente constrangidas por procedimentos (burocracia?), regras (leis) e normas sociais (cultura). Tudo isto nos parece muito lógico e até afirmarão os meus leitores que até aqui nada de novo e que tudo isto nem necessitava de uma teoria por ser tão óbvio. Mas peço-vos um pouco mais de paciência, e tentem perceber, para já, as conclusões de Maslow. A hierarquia das necessidades tem portanto as seguintes cinco propriedades:

1.       Uma necessidade não é um motivador efectivo até as outras necessidades mais abaixo na hierarquia serem mais ou menos satisfeitas, ou seja é pouco provável que nos preocupemos com tubarões (ameaça à segurança) se nos tivermos a afogar (privação fisiológica).
2.       Uma necessidade satisfeita não é por si só um motivador. Se uma pessoa estiver bem alimentada e protegida terá dificuldade em aceitar ofertas de comida e de abrigo.
3.       A falta de uma necessidade satisfeita pode afectar a saúde mental. Por exemplo, a frustração, a ansiedade e a depressão que aparecem quando há falta de auto-estima, perda do respeito, e finalmente a inabilidade de desenvolver as suas capacidades intrínsecas.
4.       Temos o desejo inato como seres humanos de subir nesta hierarquia, uma vez estando as necessidades mais abaixo satisfeitas.
5.       A experiência de auto-realização estimula o desejo por mais e melhor. Quando se chega a este patamar, o auto-realizado tem o que se chama “experiências de auge”. Quando se chega a este patamar o individuo ou grupo precisa de mais experiências semelhantes até porque esta não pode ser satisfeita como as outras.

Tendo mostrado aqui o enquadramento teórico, pediria a todos os que me lêem que façam primeiro uma pequena auto-analise e reflictam em que patamar se encontram. Quanto ás conclusões individuais não poderei dar palpites, cada um saberá auto-avaliar-se, mas com certeza se eu inquirisse um a um, teria as mais variadas respostas. Façam agora o mesmo exercício mas numa escala maior e tentem perceber onde se encontra o nosso país. Talvez não andarei muito longe se afirmar que muitos concluíram que estaremos no nível quatro das necessidades. E acrescentarei que andaremos nesse nível há muito tempo, à tempo demais. Sem este nível satisfeito não conseguiremos alcançar o(s) patamar(es) seguinte(s). Por isso as ciências em Portugal andam coxas e mutiladas, as crianças desistem da escola tão cedo, as pessoas são avessas a novas e diferentes experiências, a explorar o desconhecido, a aventurar-se. Por isso se destruíram e continuam a destruir belezas naturais no nosso país, se tomaram iniciativas sem objectividade, se desdenham as artes. Por isso Portugal ainda vive, de certo modo arraigado a superstições, credos e tradições que não elevam de todo o espírito, apenas  cumprem uma função e nem se sabe nem se pergunta bem porquê. É claro que assim é impossível alcançar a liberdade de inquirir, de ter e de aceitar um espírito crítico, aqueles que colocam em causa o “estabelecimento” e os velhos dogmas e as caducas certezas.
Portugal tem em suma de se sentir reconhecido e apreciado, de ser um país reputado e não uma nação sem lei. Ou por outras palavras a necessidade de uma firme auto-avaliação baseada nas capacidades de cada um e do país como um todo, no respeito pelos outros, mesmo que pensem de modo diametralmente diferente do nosso. Precisamos de nos tornar uma nação que acredite no mérito, no esforço do verdadeiro trabalho, precisamos de objectividade, coerência, muita persistência e ânimo. 

Mas acima de tudo temos de fazer bem, para o merecer.