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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Perdido




Deste corda louca ao meu coração,
Esperei tanto tempo por ti,
E mesmo sem dar por isso
Por pouco,
Por pouco mesmo, não o consumi.

Foi do teu olhar a saudade,
A saudade de um amor que não vi.
Fui vivendo sem dar pela vida,
E num minuto,
Num minuto apenas, envelheci.

Procurei em vão paraísos perdidos,
Adivinhando Édenes que em ti desabrochariam.
Só estilhaços de quimeras, enfim beijei...
E mil vezes perdido,
Perdido sei que nunca te encontrei.

Porque nem as flores eram românticas,
Nem o fundo de uma garrafa me fez esquecer,
Que a lua fitada do telescópio intimida;
E assim me vi só,
Só, no dia em que deixei de te ver.


© Alexandre Alves-Rodrigues 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Poemas Vagabundos E Outros Contos

O Homem Só a convite da Krrastzepy Verlag decidiu publicar uma pequena compilação de poemas, contos e crónicas.
Serão cerca de 90 páginas e 80 exemplares. Informações e encomendas aqui ou aqui.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Os Amantes



René Magritte, Les Amants. 1928. Óleo sobre tela.




Dizia-se que eram amantes…
E que se encontravam em partes incertas
Que se amavam longamente ao pôr-do-sol,
Por entre os montes e praias desertas.

Dizia-se que brotavam flores
Dos leitos de erva e areia onde desaguavam,
E que borboletas saíam das suas bocas,
Quando longe do mundo se beijavam.

Na verdade, apenas se juntavam,
Discutindo da vida os muitos dilemas,
Para que, da beleza que da poesia transparece,
Partilhassem dos homens os poemas.

Ele, de percorrer mundos trazia os seus,
Ela por percorrer dos livros as estantes
Citava Neruda, Baudelaire, Blake e Rimbaud
E por momentos sentiam-se dois diletantes.

Dizia-se que se mataram quando a poesia acabou
Ou quando, quem os acusou de serem amantes,
Injustamente, os difamou.


©2013 Alexandre Rodrigues

O Fugitivo


Quantas vezes me deitei a pensar nesses olhos negros,
Eternidades arrastei pensando no que me disseste.
E quantas mais carreguei por ter fugido dos escombros
Por saber tão bem que no meu coração sempre coubeste.

Quanto tempo meditei nos dias que passámos juntos,
De tal modo que me esqueci de me esquecer de ti?
Quando apenas me enganava rosnando amores defuntos,
Nas horas que levei a recordar de me recordar de ti…

E por demais ao descrever-te ainda sinto o teu cheiro,
Tal como a sensação de te ter feito sofrer, não me sai da mente.
Crava-me um punhal no coração, agora és de outro cavalheiro,
Sei que já perdoaste erros imperdoáveis, provavelmente …

Perdoa o meu. O de por ti um dia me ter apaixonado.
Por ter desvanecido quando resoluta me recusaste.
Quis ser o teu príncipe, o teu escravo ou mesmo criado,
Não foi por mal. Será que de tal jeito cogitaste?

Ficou tanto por dizer, gostaria de ouvir as tuas razões,
Saber mais do teu porquê, se deixavas a porta aberta.
Gostaria que me entendesses, quero saber do teu depois.

Ausentei-me à maior prova de amor por uma mulher:
A de não lutar por ela.

A dúvidas eram tão grandes que me aferrolhei nelas,
Acabei espalhado pelo mundo em desiludida solidão.
Como as cinzas do finado, no altar ardendo em velas,
Negando a quem veio a chave secreta do meu coração.

©2012 Alexandre Rodrigues