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sexta-feira, 10 de março de 2017

Apocalipse






Imagina no fim dos tempos, um Apocalipse.
Um astro gordo saciando-se de planetas,
adiando impotente o seu inevitável fim.
Cientistas juram que acharam sete Terras.
Sete Terras para adiar o nosso fim.
Há detritos no canal. Não há fim à vista.
As lápides dos mortos cada vez mais se aproximam da vereda.
Os mortos esperam um Apocalipse que os salve.
Dois dedos dos meus pés dormentes enquanto caminho.
As torres de vigia sentam-se, comovidas, à espera,
com privilégios de primeira fila no poente do mundo.
Os crentes buscando um Apocalipse que os salve da morte certa.
Eu buscando um Apocalipse que me salve desta vida incerta.
No levante, guerreiros tentam em vão, forçar o fim-dos-tempos.
E os mortos do cemitério, à espera.

Imagina no fim dos tempos um Apocalipse.
Cientistas juram que acharam sete Terras.
Não há fim à vista. As torres de vigia sentam-se, comovidas, à espera.
As lápides dos mortos cada vez mais se aproximam da vereda.
Eu buscando um Apocalipse que me salve desta vida incerta
Um astro gordo saciando-se de planetas, adiando impotente o seu inevitável fim.
Os mortos esperam um Apocalipse que os salve,
com privilégios de primeira fila no poente do mundo.
Sete terras para adiar o nosso fim.
Os crentes buscando um Apocalipse que os salve da morte certa,
adiando impotentes o seu inevitável fim.
Há detritos no canal. Dois dedos dos meus pés dormentes enquanto caminho.
No levante, guerreiros tentam forçar, em vão, o fim-dos-tempos.

Imagina no fim dos tempos as lápides dos mortos cada vez mais perto da vereda.
Dois dedos dos meus pés dormentes enquanto caminho.
Não há fim à vista. As torres de vigia sentam-se, comovidas, à espera.
Há detritos no canal. E os mortos do cemitério, à espera.
No levante, guerreiros tentam em vão, forçar o fim-dos-tempos.
Os crentes buscando um Apocalipse que os salve da morte certa.
Sete terras para adiar o nosso fim. Os mortos esperam um Apocalipse que os salve.
Eu buscando um Apocalipse que me salve desta vida incerta,
à espera, com privilégios de primeira fila no poente do mundo.
Há detritos no canal. Cientistas juram que acharam sete Terras.
Um astro gordo saciando-se de planetas, adiando impotente o seu inevitável fim.

Imagina no fim dos tempos os mortos do cemitério, à espera.
À espera, com privilégios de primeira fila no poente do mundo.
No levante, guerreiros tentam em vão, forçar o fim-dos-tempos.
Os mortos esperam um Apocalipse que os salve. Há detritos no canal.
Cientistas juram que acharam sete Terras.
As torres de vigia sentam-se comovidas
e dois dedos dos meus pés dormentes enquanto caminho.
Sete terras para adiar o nosso fim. Não há fim à vista.
Eu buscando um Apocalipse que me salve desta vida incerta.
As lápides dos mortos cada vez mais se aproximam da vereda.
Um astro gordo saciando-se de planetas,
adiando impotente o seu inevitável fim.
Os crentes buscando um Apocalipse que os salve da morte certa.

Imagina eu buscando um Apocalipse enquanto caminho.
No fim dos tempos há detritos no canal.
Cientistas juram que os crentes cada vez mais se aproximam.
Não há fim à vista buscando um Apocalipse que me salve desta vida incerta.
Sete terras para adiar o nosso astro gordo.
E os mortos do cemitério, saciando-se de planetas,
tentam em vão forçar o fim-dos-tempos que os salve.
Adiando impotentes o seu inevitável fim, acharam sete Terras.
As lápides dos meus pés mortos sentam-se, comovidas.
À espera, guerreiros da vereda, um Apocalipse que os salve da morte certa.
As torres de vigia com privilégios de mortos
esperam um Apocalipse na primeira fila do poente do mundo.
No levante, dois dedos dormentes à espera do fim.

©2017 Alexandre-Alves Rodrigues

sábado, 17 de dezembro de 2016

Oligarcas do mundo, uni-vos!



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Levantai-vos das vossas douradas cadeiras,
De onde vossos rabos forrados de dólares estipulam,
Assentes no gume frio dos conselhos de administração,
As vidas dos vossos servos.
Erguei os vossos copos repletos de sangue
E bebei do lucro especulativo dos mercados.

Oligarcas do mundo, é chegada hora!
O ninho da águia foi reconquistado.
As infinitas estepes orientais subjugadas
E as grandes planícies ocidentais ludibriadas.
Lá, de onde as grandes guerras são paridas,
Desde o amplexo das vossas fábricas
Onde obuses jorram, pelejantes,
Fortalezas nos recursos extorquidos  
Às nações falhadas pela vossa corrupção.

Voltareis a esmagar a igualdade
Com o camartelo da vossa mentira.
Lutará irmão contra irmão
Desde a negra Sexta-feira  
Aos parlamentos da vossa mocidade.
E continuarão iludidos os que lutam pelas pátrias
Esvaziadas pelos nossos soldados.
Cidade a cidade, rua a rua, casa a casa.

Irmãos, semeastes a destruição das nações
Para que os vossos potentes buldózeres
Sejam pagos para as reconstruirem.
Os escravos, já não os transportamos.
Eles caminham sozinhos até vós!
Atravessando desertos,
Fugindo das guerras que lhes ofertastes
Em troca das riquezas naturais
Presenteados pelos fantoches corruptos
Sentados nos tronos tribais.

Fareis das nações vossas escravas.
Subireis muros e fronteiras carregadas de ódio
Já propagandeastes a conformidade
E o condicionamento social
Para que as ovelhas não desgarrem.
Semeastes o ódio e o extremismo,
Subvertestes os valores da justiça e da liberdade,
Germinastes o medo e raptastes as emoções.
O processo de estupidificação foi concluído.
É a hora de colherdes os frutos do vosso trabalho!

©Alexandre Alves-Rodrigues 2016




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Pessoas





Pessoas que nunca deviam ter nascido
Pessoas que andam devagar
Pessoas novas que arrastam os pés
Pessoas que andam sempre a correr
Pessoas que dizem ‘fizestes’ e ‘chegastes’
Pessoas que sorvem a sopa ruidosamente
Pessoas que reviram os olhos quando falam
Pessoas que dizem ‘sôtor’
Pessoas que conduzem quase deitadas e com os braços esticados
Pessoas que conduzem demasiado depressa
Pessoas que conduzem demasiado devagar
Pessoas que param o carro de repente para falar ao amigo na rua
Pessoas que ouvem música aos berros no carro
Pessoas que ouvem música aos berros em casa
Pessoas que ouvem música aos berros na rua
Pessoas sem subtileza nenhuma
Pessoas demasiado subtis, ninguém os entende
Pessoas que mandam indiretas vagas nas redes sociais
Pessoas frustradas
Pessoas piegas
Pessoas melindrosas
Pessoas que se ofendem por tudo
Pessoas que se ofendem por nada
Pessoas que passam a vida a falar da vida dos outros
Pessoas que passam pela vida
Pessoas que se matam a trabalhar
Pessoas que matam os outros com trabalho
Pessoas que se acham finas
Pessoas que mascam pastilha elástica com a boca aberta
Pessoas que comem com a boca aberta
Pessoas más
Pessoas demasiado boas
Pessoas metediças
Pessoas que congelam a expressão
Pessoas que olham fixamente outras pessoas
Pessoas que atiram lixo para o chão
Pessoas que cospem para o chão
Pessoas demasiado submissas
Pessoas demasiado teimosas
Pessoas que abusam da sua posição
Pessoas que exploram outras pessoas
Pessoas religiosas
Pessoas que se acham donas da verdade
Pessoas que querem impingir coisas
Pessoas que querem impingir ideias
Pessoas que querem impingir ideais
Pessoas que matam por ideais
Pessoas que morrem por ideais
Pessoazinhas
Pessoas que fazem o mínimo possível
Pessoas que dizem que dão 200% no trabalho
Pessoas silenciosas
Pessoas faladoras
Pessoas que falam alto
Pessoas que usam a palavra ‘criatura’ para se referir a outra pessoa
Pessoas que são racistas, mas dizem ‘eu não sou racista, mas…’
Pessoas que palitam os dentes ruidosamente com a língua
Pessoas que usam palitos na boca
Pessoas que não sabem o que querem
Pessoas que vão a restaurantes falar mal da comida
Pessoas que humilham pessoas em público
Pessoas que humilham pessoas em privado
Pessoas supersticiosas
Pessoas homofóbicas
Pessoas xenófobas  
Pessoas que dizem ‘isto não dói nada’, mas dói.
Pessoas que escrevem noticias estúpidas
Pessoas que escrevem comentários estúpidos
Pessoas que escrevem comentários sem acrescentar nada de novo
Pessoas que apenas marcam presença
Pessoas que abusam de lugares-comuns
Pessoas que nunca deveriam morrer
Pessoas que nunca deveriam ter morrido
Pessoas que escrevem sobre pessoas que.

© 2016 Alexandre Alves-Rodrigues